• Clara Mayrink

“A Grande Jogada” conta a história de Molly Bloom, a “Princesa do Pôquer”


Molly Bloom era uma esquiadora e quase chegou às Olimpíadas de Inverno, mas um acidente a tirou da competição e a fez também desistir de vez do esporte e buscar um novo rumo para sua vida. É inevitável para mim fazer um paralelo com “Eu, Tonya”, que conta uma história similar de uma mulher que também se desiludiu no esporte. A qualidade de “A Grande Jogada” não é tão boa quanto a narrativa da história de Tonya, mas ainda assim se trata de um grande filme.

Depois da desclassificação, Molly resolveu ir cursar a faculdade de direito e se mudar para outra cidade, longe de seu pai, tão exigente e representado por Kevin Costner. Nesta nova casa, morando com uma colega, Molly passa a atuar como garçonete, é convidada a trabalhar em um escritório. É a partir daí passa a se envolver com jogos e chega até a ser conhecida como a “Princesa do Pôquer”. Somos apresentados a um submundo de diversão, muito dinheiro e atores famosos de Hollywood envolvidos.

Em sua busca por novos jogadores, Molly muda as roupas, passa a usar mais maquiagem e acaba mudando toda sua personalidade. Ela adia cada vez mais a faculdade de direito e acaba por desistir de estudar, ao se deparar com tanto dinheiro. Conforme se envolve mais no submundo do pôquer, Molly chega a ser acusada de organizar eventos ilegais e de ter envolvimento com a máfia russa.

Uma escolha do diretor que pode ter me deixado mais confortável para assistir a esse filme, lotado de flashbacks e contado com vai e vens no tempo, foi a diferença de ritmo entre as cenas do passado e as do presente. As cenas passadas no presente, quando Molly procura um advogado para que a defenda das acusações, são mais lentas e explicadas. Já as cenas no passado, quando ficamos a par de todas as tramoias em que Molly se envolveu e como chegou até lá, são de muita rapidez e muitas vezes até difíceis de acompanhar. O fato de eu não entender nada sobre o jogo de pôquer me deixou ainda mais perdida nas cenas em que ela explicava as coisas mais técnicas, mas para quem entende e gosta do jogo, essas cenas são um prato cheio.

Um ponto também interessante colocado no filme (que também é tratado em “Eu, Tonya”) é o de que, em competições, o segundo lugar de nada vale. Ainda dá exemplos de pessoas que, por não terem sido campeãs, tiveram suas carreiras e às vezes até as vidas destruídas.

“A Grande Jogada” (“Molly’s Game” no original) é baseado no livro escrito por Molly Bloom, então é só a visão dela mesma, não há o contraponto que fez toda a diferença para a qualidade de “Eu, Tonya”, por exemplo. Ainda assim, o filme usa um pouco da comédia em alguns momentos, o que é divertido.

Acho importante ainda pontuar a excelente atuação de Jessica Chastain, como Molly e Idris Elba, como Charlie Jaffey, o advogado que atua em favor de Molly. O longa foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático para Jessica e de Melhor Roteiro para Aaron Sorkin, que assina direção e roteiro. No BAFTA, o Oscar britânico, recebeu a indicação de Melhor Roteiro Adaptado. Já no Oscar, concorre também a Melhor Roteiro Adaptado, disputando com “Mudbound - Lágrimas sobre o Mississipi”, de Dee Rees. Aaron já conquistou o prêmio com "A Rede Social", "Steve Jobs" e "Questão de Honra". "A Grande Jogada” estreia no próximo dia 22 de fevereiro.

#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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