• Clara Mayrink

"Amando Pablo, Odiando Escobar", de Virginia Vallejo


Na década de 1980, a Colômbia passava por um dos momentos mais complicados de sua história. Isso porque Pablo Escobar e outros narcotraficantes transformaram o país em um verdadeiro campo de guerra. Foi em meio a este cenário que surgiu um romance entre Virginia Vallejo, uma das mais importantes jornalistas colombianas à época, e Pablo Escobar, o mais rico e poderoso dos narcotraficantes.

Por conta deste envolvimento, Virginia viu sua vida virar do avesso. De uma vida de luxo proveniente de seus bons empregos, bom berço e bons contatos, Virginia passou a ser humilhada e até fome passou. De rainha da TV, passou a ser rechaçada diariamente. É o que a colombiana conta em “Amando Pablo, Odiando Escobar”, lançado pela primeira vez no Brasil em 2017. O livro narra uma história de amor, crime, política e tensão.

Entre idas e vindas, o relacionamento de Pablo e Virginia durou aproximadamente cinco anos. Se tratava de um relacionamento extremamente abusivo, em que até agressões e estupro aconteceram. Ainda assim, como infelizmente ainda é comum, eles voltaram a se encontrar. Eram os dois autoritários e viviam impondo condições para manter a relação extraconjugal.

Nos últimos anos de vida de Pablo, quando já estavam separados, ele a chantageava e destruiu a imagem dela na mídia, impedindo-a de continuar sua carreira na televisão. Odiada e desprotegida por Pablo, também é rechaçada pelos opositores do ex-amante, ou seja, levava porrada de todos os lados.

Mesmo sendo muito rica, disputada e tendo namorado os homens mais ricos da Colômbia, se apaixonou e tornou-se cúmplice de um criminoso. São constantes no livro as comparações que ela faz de Pablo com os outro homens com quem se relacionou, principalmente as físicas. Também são frequentes as vezes em Virginia conta como Pablo foi o único homem que ela verdadeiramente amou e que a tratava de igual para igual. Os outros homens ricos com quem se relacionava costumavam subestimá-la e não dar devido valor à sua inteligência, além de seu belíssimo corpo, que vive ostentando.

Apesar de toda sinceridade aparentemente aplicada na obra, trata-se somente da versão de Virginia, então é complicado tirarmos tudo dali como a mais pura verdade.

Há muito mais detalhes sobre a política colombiana no período, assim como alguns detalhes dos esquemas armados por Pablo. Mas creio que isso podemos acompanhar na série "Narcos" da Netflix ou em outras fontes. Mas a relação dos dois só pode ser constatada neste livro, pela visão de Virginia.

Para nós, brasileiros, a realidade colombiana é bem próxima e muitas vezes até parecida com a nossa, mas para quem não vive essa realidade, como nos EUA ou na Europa, deve ser ainda mais interessante ter essa visão de um país em desenvolvimento. Comenta por exemplo os diversos preconceitos que existem na Colômbia, muitos principalmente por conta de ela ser mulher.

Há alguns problemas na narrativa, como o fato de muitas vezes a autora exagerar demais nos finais dos capítulos, colocando muita expectativa que nem sempre se cumprem. Acredito que o livro poderia ser um pouco menor, mas pode ser somente uma implicância minha. Eu não peguei muito no tranco com ele e demorei bastante para lê-lo. Ainda assim, é um livro que vale a pena, principalmente para os fãs de “Narcos”, como eu, e por quem se interessa pelas histórias que envolvem Pablo Escobar e os narcotraficantes colombianos. E em 2018, será lançado ainda o filme baseado no livro, estrelado por Penélope Cruz e Javier Bardem. Já estamos aguardando por aqui.

#livros

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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