• Clara Mayrink

Cinebiografia “Chacrinha, O Velho Guerreiro”, com Stepan Nercessian e Eduardo Sterblitch


Chacrinha foi um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira e até hoje não havia sido homenageado com a sua história nos cinemas. Acho que porque ninguém além de Stepan Nercessian poderia cumprir esse papel. O ator se encontrou nesse personagem, está absolutamente perfeito. Na juventude, Chacrinha é representado por Eduardo Sterblitch, também excelente.

Os dois atores escolhidos para representar o velho guerreiro conquistam o público a cada minuto, em um enredo embalado que segura o espectador do início ao fim. O filme começa com a juventude de Chacrinha, sem mostrar sua infância em Pernambuco o que, ao desenrolar da história, acaba não fazendo muita falta. O início do filme se dá com cenas hilariantes do jovem Aberlado na pele de Eduardo Sterblitch trabalhando à bordo de um navio.

Ele ia para a Europa, mas com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, voltou ao Rio de Janeiro. Abelardo decidiu não voltar para Pernambuco e tentar a vida na então capital do país. Os cenários, figurinos e ambientações no Rio são excelentes, em um belo trabalho da equipe de direção de arte, que abarcou praticamente quatro décadas.

Apaixonado pelo entretenimento, Abelardo queria trabalhar no rádio e já tinha uma voz e trejeitos vocais irreverentes. Seus primeiros testes foram fracassados e foi até mesmo humilhado pelos produtores. Sua carreira artística começou na rádio Rádio Clube Fluminense, em Niterói, que funcionava em uma chácara. Além disso, também trabalhava como anunciante de uma loja no Saara, tradicional centro comercial no Rio de Janeiro.

Mesmo sendo de madrugada, seu programa foi um sucesso e, já com o nome de Chacrinha, começou a crescer e foi convidado por outras rádios. Talentoso e irreverente, fingia estar em um cassino à noite, colocando músicas animadas, o que não era comum. A partir daí conseguiu seu programa de rádio com plateia, implantou uma série de inovações, com roupas diferentes, piadas e bordões. Com trejeitos perfeitos da voz, Eduardo conduz brilhantemente esta parte da trama, desde seu início no rádio até a sua ida para a TV, onde trabalhou nas emissoras Tupi, Globo e Excelsior. Na segunda parte, já em seu programa de TV, é a vez de Nercessian dar um show e representar com maestria o velho guerreiro, dentro e fora dos palcos.

A personalidade forte de Chacrinha lhe rendeu o afastamento da família, brigas com os produtores de seu programa (em especial com Boni, representado por Thelmo Fernandes, na Rede Globo) e até uma detenção no período da ditadura militar por desacato a uma agente da polícia. Nessa ocasião, seu programa estava sendo perseguido pela censura, por conta de, entre outras coisas, as roupas curtas das chacretes. Muitas outras curiosidades como a criação de bordões são mostradas no filme. Para além do personagem, conhecemos também a pessoa.

“Chacrinha, o Velho Guerreiro” conta com uma rápida, mas importante participação de Marcelo Serrado como Flávio Cavalcanti, seu grande rival na programação televisiva. Por conta dessa rixa, o filme retrata cenas hilárias. Personalidades como Clara Nunes (Laila Garin), Wanderleia e Elke Maravilha (Gianne Albertoni), que foram importantes na vida de Chacrinha, também têm destaque no filme. O filme conta ainda com participações de Luan Santana e Criolo.

Bastante emocionante e engraçado, “Chacrinha, o Velho Guerreiro” é uma bela homenagem do diretor Andrucha Washington a esse que foi um dos maiores comunicadores da história do entretenimento brasileiro. O longa estreia no próximo dia 8 de novembro.


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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