• Manu Mayrink

Lugar de mulher é em Skate Kitchen!


Ser mulher é todos os dias precisar mostrar que é capaz de coisas que muitos acreditam terem sido feitas para os homens. É mostrar que nossas particularidades não nos fazem pior; pelo contrário, mostram a todos novas formas de fazer algo - muitas vezes ainda melhor - que já estava consolidado. É também cair em armadilhas que criam rivalidades entre mulheres, algo que só nos enfraquece numa sociedade tão machista e patriarcal. Quantas amizades já não perdemos por conta de coisas que colocam em nossas cabeças? Skate Kitchen, estreia da diretora Crystal Moselle no cinema de ficção, nos leva a reflexões a partir da história de um grupo feminino de skate que passa a ser frequentado por uma solitária adolescente suburbana, Camille (Rachelle Vinberg). Em meio à cidade de Nova York, ela inicia um processo de auto-descoberta enquanto vivencia, pela primeira vez, a real sensação de pertencimento e o significado da amizade.

As mudanças e ritos comuns da adolescência já são complicados - brigas com a família, novos amores e amizades... Mas aqui Camille precisa também mostrar sua capacidade de existir com força e poder em um ambiente dominado por homens. Ao lado das novas amigas, ela disputa pistas de skate e áreas comuns com manobras que rendem cenas incríveis!

O filme mostra descobertas da juventude e, em certos pontos, se assemelha a outros tantos longas com alguns clichês e lugares comuns. Mas ganha muitos pontos ao mostrar a importância do empoderamento, das amizades femininas e dos reconhecimentos de culpa, seguidos por pedidos de perdão. Saí da sala de cinema com mais certeza do que nunca de que, sim, precisamos estar cada vez mais unidas para, juntas, conquistarmos nossos espaços que vem há tanto tempo nos sendo negados.

O longa tem poucas caras conhecidas, como Elizabeth Rodriguez (de Orange is The New Black), interpretando a mãe de Camille, e Jaden Smith, que faz o papel do ex-namorado de uma das amigas da jovem, e que vai despertar o interesse dela. Talvez aí esteja a parte mais forçada do filme: um interesse que surge sem grande profundidade, parecendo estar ali só para criar o conflito necessário para finalizar a mensagem que deveria ser passada.

Em uma participação no TedxTeen, Nina Moran (que interpreta uma das personagens do filme) conta um pouco de sua história e, consequentemente, a história de Rachelle Vinberg e do Skate Kitchen. Vale super assistir:


O longa está em cartaz no Festival do Rio, com sessão especial com convidados (incluindo a presença da diretora) neste domingo (04.11), às 16h!


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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