• Clara Mayrink

O francês “Vidas Duplas” discute a revolução digital no mercado editorial


“Quanto menos as pessoas leem, mais acham a escrita suspeita”. Essa frase é dita por um dos personagens logo nas primeiras cenas de “Vidas Duplas”, já deixando mais ou menos claro o teor do longa francês, do diretor Olivier Assayas. O tema do mundo digital é o grande mote de toda a produção.

Com a sempre irreverência do cinema francês (que pode ser observada também em outros pontos), o filme já começa sem nenhuma introdução, indo direto ao ponto, em uma cena de conversa entre Léonard (Vicent Macaigne) e Alain (Guillaume Canet), que trocam sobre um manuscrito que é avaliado. Alain é um editor bem-sucedido, mas que encontra dificuldades em se adaptar à já instaurada revolução digital. Léonard é um dos autores que trabalha com ele há anos, mas agora Alain está em dúvida de aceitar seu novo manuscrito, uma autoficção que recicla seu caso de amor com uma celebridade. Muito amigos, essa amizade pode ser abalada pela discordância sobre o novo manuscrito de Léonard.

O longa todo se parece com um grande diálogo sobre essas questões do mundo moderno. Por não ter trilha sonora, os cenários se repetirem e as cenas sempre dialógicas e também repetitivas, o filme pode entediar um pouco. Apesar disso, as conversas dinâmicas e as lindas paisagens do litoral francês conseguem tornar o filme menos entediante.

“Vidas Duplas” mostra um pouco das intimidades de Léonard e Alain, em conversas íntimas com suas parceiras e um com o outro. Mas todas os diálogos, por mais triviais que fossem, acabam descambando para o tema da vida no mundo moderno tecnológico.

Uma das personagens fala constantemente sobre uma leitura desmaterializada. É colocada em pauta a democratização da comunicação, o fim das bibliotecas, o mercado de informações, em que cada um só compra o que quer. Essencialmente, é sobre esse futuro da comunicação e informação, principalmente no mercado editorial, que trata “Vidas Duplas”.

O filme coloca ainda muitas tiradas engraçadas, até uma piada com Juliette Binoche, ganhadora do Oscar, que está no elenco do filme. “Vidas Duplas” ainda não tem data de estreia no Brasil, mas ganhou algumas sessões especiais durante o Festival do Rio, que vai até o dia 11 de novembro. O filme ainda não tem trailer, então confira um clipe de uma das cenas:


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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