• Clara Mayrink

“Slam - Voz de Levante”, a história do slam poetry pelos olhos de Roberta Estrela D’ávila


A arte é um dos maiores pilares de resistência em tempos sombrios. A cultura, em todas suas vertentes, deveria ser valorizada e incentivada em qualquer lugar. O documentário “Slam - Voz de Levante”, produzido pela GloboNews, retrata um pouco da história do slam poetry, uma arte que nasce nas periferias e aos poucos vai conquistando outros espaços. O filme conta esta história pelos olhos e experiências de Roberta Estrela D’ávila, um dos maiores expoentes do slam no Brasil, que é co-diretora deste longa, junto com Tatiana Lohmann.

“Slam - Voz de Levante” um projeto que vem sendo construído há muito tempo, já que retrata várias viagens de Roberta, por cidades como Paris, Nova York, Chicago, Rio de Janeiro e São Paulo, em um período que cobre de 2011 a 2017. É por meio destas viagens, entrevistas e experiências de Roberta Estrela D’ávila, mesclados com excelentes apresentações e competições, que vamos trilhando o caminho do slam no mundo. São entrevistados artistas de vários países, alguns dos fundadores, entramos em conversas sobre o fato de se tratar de uma competição, a relação com a cultura hip hop, os temas que são debatidos…

O slam tem suas origens nas periferias, nas mazelas das pessoas, é uma arte completamente popular, fruto das ruas. Tudo o que a sociedade vem debatendo de assuntos polêmicos nos últimos anos, já são pauta no slam desde sua criação. As poesias e apresentações são uns tapas em nossas caras, sempre com uma nova visão que só quem vive consegue ter. É a periferia se colocando e se mostrando pela arte.

As cenas das apresentações de slam são as mais interessantes, principalmente para quem ainda não tem tanta familiaridade com a arte. Uma das cenas que chama mais atenção, é uma gravação de arquivo, em uma competição que aconteceu em São Paulo em 2009, no ZAP, a Zona Autônoma da Palavra, o primeiro slam do Brasil. Nesta cena, um jurado branco se incomoda com o fato de a maioria dos poemas falarem só sobre o movimento negro. A resposta é dada a altura com uma espetacular apresentação. Isso inclusive se torna uma questão também quando somente poemas com estes temas, principalmente raciais e feministas, ganham as competições. Estes temas são lindos e importantes, mas Roberta coloca que isso não pode também inibir alguém de falar de poemas de amor.

Além das competições em bares mundo afora, das competições nas Flups (Feira Literária das Favelas) aqui no Rio, das disputas de copas do mundo, “Slam - Voz de Levante” mostra ainda alguns festivais e campeonatos adaptados, como o slam de corpo, para surdos e ouvintes, com poesias em libras e belas interpretações, e o menor slam do mundo, com tempo encurtado. Os jurados são escolhidos na hora, pessoas do público mesmo, e tentando ser o mais diverso possível. A performance é sempre especial, mistura um pouco de poesia com teatro.

O grande objetivo de “Slam - Voz de levante” é mostrar como a poesia e a arte pode de fato mudar a vida das pessoas. A transformação social passa pela cultura e liberdade de expressão. Na emocionante cena final, Luz Ribeiro, que chegou à semifinal da Copa do Mundo de Slam em Paris, representando o Brasil, em 2017, fala como isso a faz se sentir não mais invisível. Em ambientes em que o governo esqueceu, em que há poucas opções de cultura e lazer, as palavras do slam impactam e mudam realidades.

“Slam - Voz de Levante” estreou ontem, 22 de novembro, e celebra os dez anos da chegada do movimento no Brasil.


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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