• Clara Mayrink

“Pare de se odiar: porque amar o próprio corpo é um ato revolucionário”, de Alexandra Gurgel


O problema da gordofobia e o incentivo ao pensamento bodypositive têm estado em pauta nos últimos anos, principalmente na internet, com influenciadoras que pregam o amor-próprio. Alexandra Gurgel é uma das youtubers que produzem este tipo de conteúdo e, recentemente, também lançou um livro que segue esta mesma linha. “Pare de se odiar: porque amar o próprio corpo é um ato revolucionário” foi lançado este ano pela Editora Best Seller, um dos selos do Grupo Editorial Record.

Neste livro, Alexandra faz uma espécie de resumão do que é dito em seu canal. Para quem é iniciado no assunto ou acompanha seu canal, algumas informações já são conhecidas, tendo assim poucos fatos novos. Entretanto, como é um tema que me é caro, foi uma leitura muito interessante, principalmente para lembrar que não estamos sozinhas. Como jornalista que é, Alexandra usa dados, pesquisas e entrevistas para endossar seus argumentos. A escrita é simples, como se fosse uma conversa com uma amiga.

Por conta de sua má relação com o corpo, Alexandra tinha ainda problemas com bipolaridade, depressão, compulsão alimentar e ansiedade, o que acabou atrapalhando a sua vida em vários aspectos. Depois de toda uma vida insatisfeita consigo mesma, em 2015 criou o canal no Youtube "Alexandrismos" para conversar com as pessoas e acabou também se ajudando. Como dedicava seu tempo a aprender a se amar, acabava esquecendo as loucuras que fazia para emagrecer.

Aprendemos a nos odiar, odiar nosso corpo, querer ser magra etc. Em “Pare de se odiar”, Alexandra vai desconstruindo esse pensamento, para mostrar que tudo isso se trata, na verdade, de uma construção social. Sentia inveja das meninas que eram perfeitas, e não parecidas com ela, o que a fazia aumentar ainda mais o ódio com outras mulheres, o que é ótimo para o machismo e para o mercado, que tanto lucram com produtos e serviços elaborados para se conquistar o corpo perfeito. Essa competição que se constrói entre as mulheres, só é ruim para as próprias mulheres.

Sempre se viu, em todas as mídias, apenas uma forma de mulher, então era justo que quiséssemos ser como elas, como se não nos sentíssemos representadas e assim, estarmos erradas. No livro, Alexandra ensina sobre o machismo, bodyshaming, competições entre mulheres e as construções sociais que desde a infância fazem com que não nos gostemos. Usa exemplos do dia-a-dia para ficar mais claro: Bruna Marquezine, Nara Almeida, Anitta e outras mulheres.

Ao contar sua história de vida, Alexandra diz que acreditava que a vida dele só ia começar quando ela emagrecesse. Não namorava, não transava, não tinha muitos amigos, não ia à praia, não se expunha, preferia se isolar e ainda tentou suicídio (assunto do qual trata repetidas vezes no livro, mas não explica com detalhes para não criar gatilhos). Comigo, que sempre fui gordinha, o processo foi parecido. Acredito que minha criação tenha sido um pouco diferente, o que me fez não me odiar tanto e nem pensar sobre isso o tempo todo. Mas sem dúvida afetou minha vida em situações como relações com namorados, ou até mesmo ir à praia. Quantos mergulhos já deixei de dar por medo do que iam achar do meu corpo?

Para me defender, me agarrava aos estudos e à minha inteligência, muitas vezes até diminuindo as outras pessoas para me sentir melhor. Além disso, até hoje me questiono se alguns aspectos da minha personalidade podem não terem sido moldados por conta deste aspecto físico. Eu ainda não tenho a resposta, mas o pontapé nesta discussão é essencial e "Pare de se odiar" é ótimo neste sentido. Quebrar os padrões de beleza é uma urgência porque meninas no mundo inteiro estão morrendo e se matando literalmente por isso.

#livros

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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