• Clara Mayrink

“O Fascismo Eterno”, do italiano Umberto Eco


“O Fascismo Eterno”, livro de Umberto Eco editado pela Editora Record, é fruto de uma conferência dada pelo italiano nos Estados Unidos em 1995. Voltado para estudantes estadunidenses, em um EUA que tinha acabado de sofrer o atentado de Oklahoma e a “descoberta” de grupos paramilitares da direita neste país. O objetivo era mostrar a outras gerações como o fascismo pode adquirir várias faces. Para isso, ele explica um pouco de sua experiência quando ainda criança na Itália fascista, no fim da Segunda Guerra, da resistência antifascista, e ainda como esse regime pode se adaptar em determinadas épocas e lugares.

Diferente do nazismo, que só existe de determinada forma, o fascismo pode admitir várias formas e, assim, pode atuar em várias partes do mundo. O fato de ser um regime ditatorial facilmente adaptável a épocas e lugares é o que o torna ainda mais perigoso. “O fascismo foi certamente uma ditadura, mas não era completamente totalitário, nem tanto por sua brandura, mas antes pela debilidade filosófica de sua ideologia.”, diz o italiano.

Eco também não isenta outros regimes: ele coloca como o stalinismo, por exemplo, também era autoritário, apesar de filosoficamente diferente. Critica a origem filosófica do fascismo, para ele rasa e debilitada. A pouca diversidade cultural destes regimes também demonstra um pouco seu caráter ditatorial.

Ele coloca ainda catorze pontos de características do fascismo, explicando brevemente cada um deles. Alguns como não aceitarem discordâncias, ser racista por definição, ser contra a cultura e a inteligência de modo geral, um forte ataque às universidades, que seriam antros de comunistas. Sim, eu sei. As semelhanças com o Brasil em 2018 são assustadoras.

"O Fascismo Eterno" termina com um poema em italiano que é uma convocação para que sempre estejamos atentos aos sinais do fascismo, para que não seja instalado novamente. Sendo assim, acho uma excelente hora para a Editora Record publicar esse livro. O Brasil passa por um momento complicadíssimo de sua história, em que, diversos dos pontos descritos por Eco podem ser adaptados à nossa realidade. É preciso sim, ter cuidado e estar atento para não cairmos em certos tipos de manipulação que ao final podem ser prejudiciais a nós mesmos. Muito obrigada, Record, pelo ótimo timing e reeditar esse grande escritor.

#livros

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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