• Manu Mayrink

"Fevereiros": Bethânia, Carnaval, Rio de Janeiro, Bahia e Sincretismo


Janeiro pareceu eterno, mas está acabando e fevereiro chega em poucas horas. E este é O MÊS de Maria Bethânia. Dois de fevereiro é dia de festividades em Santo Amaro da Purificação, cidade natal de Bethânia e da família Veloso; é dia de Iemanjá e de Nossa Senhora dos Navegantes. Este é o mês que rege a vida da cantora: suas roupas ou apetrechos domésticos novos, por exemplo, são deixados para ser usados pela primeira vez em fevereiro, mês em que ela sempre volta para o lar de sua família e para os festejos que remetem à infância.

A tudo isso, se juntou a Mangueira e o amor que Bethânia criou pela escola e pelo carnaval após sua vinda pro Rio de Janeiro. Em 2016, a Estação Primeira foi campeã com um enredo dedicado à baiana ("Menina dos Olhos de Oyá"), e o documentário "Fevereiros" acompanha este processo, além de ir à Bahia e entender as origens da cantora e toda sua religiosidade e sincretismo. Talvez aí seja o único ponto de confusão do longa. Grande parte da primeira metade da produção é voltada para os rituais de Bethânia em Santo Amaro. Quando voltamos à Mangueira, já nem lembrávamos que foi ali que tudo começou, que este foi o ponto de partida do filme. E acabamos sentido falta da Bahia, doidos pra voltar pra lá e saber mais detalhes.

"Fevereiros" vai além da vida de Bethânia. Ele nos leva para a história da Bahia e da mistura de religiões necessária para que cultura e crença do povo negro pudessem continuar existindo. Aqui, entendemos melhor sobre a história do candomblé, do samba, da mestiçagem e todos os preconceitos que existiram e existem.

"O Recôncavo baiano, região onde Bethânia nasceu, tem a particularidade de ter sido o lugar no Brasil que mais recebeu negros escravizados trazidos da África. A Bahia soube misturar as tradições africanas, indígenas e portuguesas e transformá-las em expressões originais brasileiras em relação à música, religião e festas populares. Esses aspectos vão sendo apresentados no filme conforme nos aproximamos de Santo Amaro e acompanhamos a construção do carnaval da Mangueira", explica Debellian.

Bethânia cruza todas suas referências e, ao longo do documentário, podemos perceber como ela é uma mulher que sempre soube exatamente o chão de onde vem e os caminhos que pretende seguir. Quem a conhece diz que não é uma pessoa fácil, mas talvez seja assim que costumem descrever mulheres decididas, donas de suas crenças, poderosas na voz, rainhas de suas ideias e amantes do próprio corpo. Sua relação é com Jesus e Nossa Senhora, é com Iansã e Iemanjá, é com terra, água, ar... É com Brasil!

Direção: Marcio Debellian


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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