• Manu Mayrink

"A Próxima Estação - Um Espetáculo para Ler", com Cacá Carvalho, em cartaz no SESC Copacab


Até os meus 18 anos, fui criada entre Madureira e Saquarema, dois locais em que a atividade teatral é um tanto quanto precária, apesar de todos os esforços dos envolvidos na área. Sendo assim, fui muito influenciada por TV e todo seu ideário de fama. Muitos dos artistas que tem uma carreira super consolidada no teatro só chegavam a mim através de seus personagens em novelas. É o caso de Cacá Carvalho, que mantém há 28 anos parceria artística com o renomado diretor italiano Roberto Bacci. O encontro resultou na Trilogia Pirandello, com os espetáculos “O Homem com a Flor na Boca”, “A Poltrona Escura” e “umnenhumcemmil”. Por 21 anos, a mesma equipe de diretor, dramaturgo, ator, cenógrafo, figurinista e iluminador mergulhou na obra do Prêmio Nobel de Literatura, Luigi Pirandello. Mas eu conhecia Cacá apenas como o famoso Jamanta, das novelas "Torre de Babel" (1998) e "Belíssima" (2005).

Quando li o nome do espetáculo (em cartaz no SESC Copacabana até 24 de fevereiro), "A Próxima Estação - Um Espetáculo para Ler", fiquei com um pé atrás: será que uma peça lida seria interessante ou me daria sono? Aqui, conhecemos a história do casal Violeta e Massimo: juntos eles repassam os acontecimentos de suas vidas em seis estações, marcadas por intervalos de uma década, ao longo de 50 anos, de 2015 a 2065 (eles são cinco anos mais velhos do que eu, então me vi em muitas possibilidades de cena). O espetáculo traz detalhes deste percurso a dois, com amores e embates, mudanças de vontades e personalidades, semelhanças e diferenças... Tudo isso em um futuro fictício (com alguns acontecimentos a la Black Mirror bem assustadoras).

Cacá Carvalho interpreta os dois protagonistas, em uma leitura absolutamente dinâmica do texto, com mudança de vozes e interação direta com desenhos que aparecem no telão, representando os personagens. Tudo em perfeita sincronia!! Quem traduziu em desenhos a história de 50 anos de vida de Violeta e Massimo foi a artista plástica e performer italiana Cristina Gardumi, que criou criaturas humanas animalizadas ou animais humanizados (eles parecem um pouco gente, um pouco coelho, um pouco raposa...) unindo gestualidade teatral, emoções e profundos impulsos.

E é impressionante como tudo é muito bem sincronizado, com desenhos e frases projetados em relação direta com os diálogos lidos. Um complementa o outro e é necessário para o perfeito entendimento do roteiro. Roteiro este que nos leva à reflexões sobre a vida a dois e o quanto cada um pode se doar em um relacionamento, com todas as mudanças que 50 anos podem fazer nos indivíduos e também na sociedade. Vivências independentes que ganham eco na vida d@ companheir@. A emoção toma conta de todos os presentes. Na sessão em que estive, Cacá terminou a apresentação visivelmente emocionado. E eu saí com uma certeza: o que vemos na TV não é 1% do talento que um grande ator pode mostrar também nos palcos.

SERVIÇO

A Próxima Estação - Um espetáculo para ler

De 31 de janeiro a 24 de fevereiro

Local: Sesc Copacabana - Mezanino

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana.

Dias e horários: De quinta a domingo, às 20h

Ingressos: R$ 30 (inteira), R$15 (meia-entrada) e R$7,50 (associados do Sesc)

Informações: (21) 2547-0156

Bilheteria: segundas, de 9h às 16h; de terça a sexta, de 9h às 21h; sábados, de 13h às 21h e domingos, de 13h às 20h.

Duração: 70 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

#teatro

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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