• Manu Mayrink

"La Cama" e a cumplicidade do fim de um casamento


30 anos de casamento. Quando decidiram se separar, depois de uma vida inteira compartilhada, talvez Mabel e Jorge não imaginassem a intensidade da decisão. Mesmo que tudo aconteça de comum acordo e sem grandes traumas, ninguém pode dizer que é fácil mudar rotinas há tanto tempo divididas. Em "La Cama" acompanhamos as últimas 24h que um casal passará junto.

Em um ritmo lento, que pode remeter à dificuldade de ambos para darem o verdadeiro adeus à vida anterior, o longa nos mostra a maturidade do casal em suas "atividades burocráticas". De maneira bucólica, porém sem dramas, dividem o que pertence a cada um, inclusive remédios e discos antigos. Cenas de sexo também estão presentes, numa tentativa de se conhecerem e reconhecerem pela última vez antes da fatídica separação. Aliás, a presença da nudez de ambos em quase todo o filme mostra como, apesar de tudo, marido e mulher ainda se sentem confortáveis na presença um do outro, a cumplicidade de uma vida compartilhada segue presente.

Em longas cenas estáticas provenientes de uma câmera parada e com pouquíssimos diálogos, captamos a bagunça de uma casa pré-mudança e sua relação com a bagunça de almas ainda tão confusas diante do futuro obscuro: como é se redescobrir após 30 anos vivendo a dois (e agora já na terceira idade)?

O mundo externo, aqui, é quase nulo. O que nós acompanhamos são duas almas se despedindo de quem foram para se transformar em quem serão.

#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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