• Clara Mayrink

A dicotomia em "O Olho e a Faca"


Com um detalhado exame de vista começa “O Olho e a Faca”, em uma fraca tentativa de explicar o título do longa. Fraca porque não se fundamenta e justifica. Este é um filme bastante visual, com closes e imagens estáticas de máquinas e mares, além de muitas brincadeiras de montagem, em uma tentativa de ilustrar os sentimentos confusos que têm Roberto (Rodrigo Lombardi), representado por Rodrigo Lombardi. Percebe-se aí um dedicado trabalho de fotografia e montagem.

Roberto trabalha na Polvo A, uma plataforma de petróleo, ambiente pouco representado no cinema brasileiro, apesar de sua grande importância por aqui. Há uma disputa na promoção de um cargo, em que Roberto acaba ganhando e se tornando coordenador, o que acaba trazendo grandes prejuízos em seu convívio com os colegas de trabalho. Por essa nova responsabilidade, é aconselhado a acabar com a “camaradagem” entre os colegas e se desentende com amigos de longa data. Além disso, conflitos no casamento e na relação com os filhos comove ainda mais o protagonista, que se vê atabalhoado com seus próprios sentimentos. Seus conflitos pessoais acabam por afastar todos a sua volta. Conforme os problemas vão aumentando, ele vai se isolando cada vez mais e o diretor trata isso conforme trata sua relação dicotômica com o mar: antes, amigável e sereno; agora desafiador e assustador.

O maior ponto positivo do filme na minha opinião é esta relação com o oceano, bem pontual e marcada, por ser essencial para compreender a essência do personagem, assim como suas relações pessoais, direta e indiretamente influenciadas por essa imensidão azul. No início, Roberto o saúda, com ar de alegria. Mas depois, com tantos problemas em sua vida pessoal, profissional e principalmente, dele com ele mesmo, esse mar se torna um problema, um perigo. O que antes trazia tranquilidade e uma solidão positiva, se transforma em um desafio assustador.

O final de “O Olho e a Faca” é cansativo e há mais uma vez uma forçada e infundada tentativa de justificar o título. Há ainda imagens desconexas que remetem à sensação de confusão que se instaura em Roberto. Dirigido por Paulo Sacramento, tem além de Lombardi, Roberto Birindelli, Luis Melo e Maria Luisa Mendonça no elenco e sua estreia aconteceu no último dia 27.

#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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