"Tubarões" reestreia no Teatro Serrador e traz reflexões sobre a relação passado/presente


E se você pudesse comprar aquela casa em que, 20 anos atrás, passou diversos períodos de férias incríveis ao lado dos seus melhores amigos? É exatamente isso que Stella (Bianca Joy Porte) faz em "Tubarões", espetáculo em cartaz no Teatro Serrador. E ainda chama os dois companheiros de aventuras da adolescência para uma visita cheia de lembranças.

Cada um seguiu rumos distintos na vida, com novas carreiras, novos relacionamentos... E não se viram mais desde aquela época. O reencontro traz uma série de lembranças felizes, mas também o questionamento: tanta nostalgia vale a pena? Não seria melhor deixar o passado no lugar dele, apenas como algo para o qual recorremos em momentos de saudade?

O confinamento naquela casa do passado acaba por se tornar desconfortável e até mesmo sufocante (não só para os velhos amigos, mas também para seus atuais companheiros), faz com que sentimentos sejam revelados, decisões sejam tomadas e transformações ocorram. O choque com o passado traz à tona lembranças do que cada um dos personagens gostaria de ser 20 anos depois - e a frustração de saber que tantas ideias se perderam no decorrer da vida.

"Tubarões", que tem direção de Michel Blois, faz uso de variações de tempo no espetáculo, com momentos de flashback, por exemplo. Muitas vezes passado e presente estão juntos na mesma cena. A premissa do texto, aliás, é ótima: lembranças, nostalgias e a certeza de que aquilo que passou não volta mais são assuntos que competem a todos nós. Mas sinto que o tema poderia ser mais bem explorado, com menos uso do lugar comum.

O elenco é formado de bons e premiados atores (Alexandre Varella, Alonso Zerbinato, Beatriz Bertu, Bianca Joy Porte/Thiare Maia Amaral, Christian Landi e Michel Blois), mas alguns oscilam ao longo do espetáculo, o que dificulta pra que acreditemos nos personagens (algumas marcações cênicas e a interação com o cenário parecem demasiado mecânicas, por exemplo). Isso acontece também nas relações amorosas: faltou naturalidade nos beijos e abraços dos casais. Porém, creio que muito disso se deva ao fato de que a sessão que assisti era a reestreia após um período de férias, desta vez em um novo teatro, com uma plateia formada basicamente por amigos e críticos. A tendência é realmente que a melhora venha nas próximas sessões. Afinal de contas, não foi à toa que "Tubarões" teve uma temporada de sessões esgotadas no SESC Copacabana em 2017.

Imagens: Vanessa Angelo

TUBARÕES

TEMPORADA: de 11 a 27 de janeiro, quinta a sábado, às 19h30min LOCAL: Teatro Serrador ENDEREÇO: Rua Senador Dantas, 13 – Cinelândia, Rio de Janeiro/RJ FONE: (21) 2220-5033 CAPACIDADE: 276 lugares INGRESSOS: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia) - Horários de funcionamento da bilheteria: de terça a sábado, das 15 às 22h - Vendas online: ticketmais.com.br GÊNERO: drama CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos DURAÇÃO: 80 min

FICHA TÉCNICA Dramaturgia: Daniela Pereira de Carvalho, Alexandre Varella, Alonso Zerbinato, Beatriz Bertu, Bianca Joy Porte, Christian Landi, Cirillo Luna e Michel Blois Direção: Michel Blois Elenco: Alexandre Varella, Alonso Zerbinato, Beatriz Bertu, Bianca Joy Porte/Thiare Maia Amaral, Christian Landi e Michel Blois Iluminação: Tomás Ribas Cenário: Antônio Guedes e Sandro Vieira Figurinos: Antônio Guedes Cenotécnico: Raphael Guedes Locução em off: Raquel Rocha Trilha Sonora: Aline Mohamad Direção de produção: Ana Studart e Luísa Barros Produção executiva: Chimeny Fransoise Idealização: Christian Landi e Daniela Pereira de Carvalho

#teatro

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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