"Altered Carbon", nova série da Netflix, e a possibilidade de superação da morte


Tecnologias podem ser incríveis e melhorar a vida de todos nós, se bem aplicadas. Mas quando elas se tornam domínio de poderosos que as usam apenas a seu favor, a coisa muda de figura e só aumenta as desigualdades. É possível afirmar que esta discussão é o pano de fundo de "Altered Carbon", nova série de ficção científica da Netflix.

Aparentemente, a produção não tem agradado muito. Segundo o portal Deadline, apenas 1 milhão de pessoas conseguiram terminar a primeira temporada da série após sete dias (eu demorei um cadinho a mais). 5,9 milhões de espectadores começaram a assistir a série, mas apenas 18% finalizaram. Mas será que é tão ruim assim? "Altered Carbon" tem 10 episódios e é baseada no livro de mesmo nome, escrito por Richard Morgan.

O enredo acontece em um futuro em que a sociedade se acostumou à prática da troca de corpos: após armazenar a consciência de uma pessoa, ela pode ser transferida a outra "capa", podendo viver várias vidas. Mantendo o "chip" intacto, a morte não precisa existir, já que não está diretamente atrelada ao corpo físico. Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman, de "House of Cards") acorda após 250 anos em outro corpo. Além de se adaptar a esta situação e à nova sociedade, ele é contratado por um homem riquíssimo para descobrir o autor de seu próprio assassinato. Tak conta com a ajuda de uma policial mexicana, um ex-militar tentando ajudar sua filha e um robô equipado com inteligência artificial.

Bem futurístico, não é mesmo? E é importante assistir a "Altered Carbon" com bastante atenção, porque conhecemos muitos termos e explicações essenciais para o enredo. Não dá pra dormir. A verdade é que, apesar de tantos acontecimentos e tecnologias tão longe da nossa realidade atual, a questão social se faz super presente. Não importa o quão evoluído o mundo se torna se tudo só existe para perpetuar os mais ricos no poder. Nesta série, são eles que, efetivamente, atingem a imortalidade e a possibilidade de troca de capas. Os mais pobres se contentam com algum favor, isso quando eles existem. A "vida eterna" não é pra qualquer um.

"Nós não nascemos feitos para viver para sempre. Isso cor-

rompe até os melhores de nós"

Neste universo do futuro, virtual e real se confundem e, com isso, técnicas de tortura são bem mais elaboradas e não precisam terminar após uma morte (afinal de contas, ninguém "morre" no mundo virtual. Mas sente dor e pânico o suficiente para revelar o que seu torturador quer ouvir).

"Altered Carbon" traz, acima de tudo, discussões sociais relevantes (é interessante pensarmos que o importante é quem somos e que nossa capa/aparência já não significa tanto nos relacionamentos, por exemplo), mas tantas novidades às vezes nos deixam perdidos. Até porque a possibilidade de troca de capas confunde não só a vida dos personagens como as dos telespectadores: é difícil ter certeza de quem é quem por ali. A partir do quinto episódio, com boas revelações e algumas viradas, a série ganha poder e passa a te prender de verdade. Tenha paciência e deixe a série te levar. Depois me conte o que achou!


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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