#JáLi - "Carta a D.", de André Gorz


Trechos para anotar no caderninho:

- "Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si"

- "Por mais que tivéssemos sido profundamente diferentes, mas eu não deixava de sentir que alguma coisa fundamental era comum a nós, um tipo de ferida original - há pouco eu falava de 'experiência fundadora': a experiência da insegurança. A natureza desta não era a mesma para você e para mim. Não importa: para ambos, ela significava que não tínhamos um lugar assegurado no mundo, e só teríamos aquele que fizéssemos para nós. Nós tínhamos de assumir a nossa autonomia, e eu descobriria em seguida que você estava muito mais preparada para isso do que eu"

- "A precisão das lembranças que eu guardo me diz a que ponto eu a amava, a que ponto nós nos amávamos".

- "O principal objetivo do escritor não é o que ele escreve. Sua necessidade primeira é escrever. Escrever, isto é, ausentar-se do mundo e de si mesmo para, eventualmente, fazer disso a matéria de elaborações literárias"

- "Eu admirava sua segurança, sua confiança no futuro, sua capacidade de captar os instantes de felicidade que se ofereciam"

- "'Sua vida é escrever; então escreva', repetia. Como se a sua vocação fosse a de me reconfortar na minha"

- "O que me permitiu mudar não foi escrevê-lo; foi ter produzido um texto publicável e vê-lo publicado. Publicar mudou a minha situação. Conferiu-me um lugar no mundo, conferiu realidade ao que eu pensava, uma realidade que excedia minhas intenções; que me obrigava a me redefinir e a me ultrapassar continuamente para não me tornar o prisioneiro nem da imagem que os outros faziam de mim, nem de um produto que se tornara outro em relação a mim, por sua realidade objetiva".

- "Eu havia chegado à idade em que a gente se pergunta o que fez da própria vida, o que queria ter feito dela. Tinha a impressão de não ter vivido a minha vida, de tê-la sempre observado à distância, de só ter desenvolvido um lado de mim mesmo, e de ser pobre como pessoa. Você era e sempre tinha sido mais rica que eu. Você se desenvolvia em todas as suas dimensões. Estava firme em sua vida, enquanto eu sempre me apressara à tarefa seguinte, como se a nossa vida só fosse começar mais tarde"


#livros

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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