Documentário “Flores do Cárcere” retrata realidade de mulheres na cadeia


O documentário “Flores do Cárcere” conta história de cinco mulheres que passaram pela Cadeia Pública Feminina de Santos. Baseado no livro homônimo de Flavia Ribeiro de Castro, que fez um trabalho humanitário naquela prisão em 2005, este longa, de Bárbara Cunha e Paulo Caldas, busca continuar contando a história daquelas mulheres.


Para dar continuidade às histórias de cada uma das mulheres, são usadas muitas imagens de arquivo que contrastam com as imagens atuais. As protagonistas Xal, Pérola, Chachá, Dani e Mel retornam à casa de detenção, hoje desativada, e relembram momentos que passaram por lá. São mostrados os momentos entre amigas, em que dançavam para se divertir, e também as mazelas, como as celas superlotadas e as gambiarras para garantir algum tipo de luxo, como água quente. Em seguida, ficamos sabendo um pouco mais sobre a vida de cada uma delas, como chegaram na cadeia, e o que aconteceu com suas vidas depois que conquistaram a liberdade, qual rumo cada uma seguiu.


“Flores do Cárcere” busca humanizar as detentas, ao detalhar suas vidas e mostrar que qualquer pessoa pode errar. As protagonistas são mulheres resignadas pelo que viveram, porém resilientes e fortes, todas em busca de mudança e de uma vida diferente. Ainda assim, elas são totalmente diferentes entre si, cada uma com uma ideia, uma opinião sobre a vida, o que fazer daqui em diante e sobre o que aconteceu. Mesmo assim, têm em comum o desejo de transmitir uma mensagem positiva.



O documentário busca trazer esse olhar feminino sobre a prisão, como os caminhos que em geral levam as mulheres a serem presas, além do distanciamento da família, que ocorre de maneira peculiar com as detentas, uma vez que é mais comum esposas visitarem seus maridos na cadeia que o contrário, por exemplo. Até porque, na maioria das vezes, foi por influência deste companheiro que a mulher chegou até lá.


O diretor trabalha com entrevistas diretas em que não ouvimos suas perguntas, mas conseguimos identificá-las com clareza. Apenas a primeira cena foge desse modus operandi, ao tentar se afastar do momento em que as ex-detentas retornam à prisão, agora abandonada. Bárbara e Paulo também inovaram ao trazer duas atrizes para viver uma sexta detenta e sua prima, em uma tentativa de representar outras mulheres detentas. Não sei se era necessária essa inserção, uma vez que Xal, Pérola, Chachá, Dani e Mel, tão plurais, já mais representam uma diversidade de mulheres que um dia estiveram presas.


“Flores do Cárcere” foi exibido na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no 21º Festival do Rio, ambos em 2019.


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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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