"Adoráveis Mulheres": a infeliz atualidade do enredo de "Mulherzinhas"



Antes de começar a falar de "Adoráveis Mulheres", é importante saber que não assisti as versões anteriores ou li o livro "Mulherzinhas", de Louisa May Alcott, que inspirou as produções audiovisuais. Tudo que falarei aqui será da perspectiva de quem viu uma obra solta, sem qualquer possibilidade de comparação.


No longa, conhecemos as irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) que amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Elas tem personalidades completamente diferentes e enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras. Ao lado da mãe, essas cinco mulheres fortes da família March aprendem a lidar com a vida tendo apenas umas as outras em quem se apoiar, já que o pai está há anos longe de casa exatamente por conta da guerra. Realidade de toda uma geração de mulheres que passaram por situação semelhante.



E, neste crescimento em um período histórico ainda tão conservador, acompanhamos os dilemas destas jovens que, por exemplo, querem fazer o que amam (ou ficar com quem amam), mas não sabem como conciliar isso ao fato de serem mulheres, com as exigências características daquela sociedade. Uma das personagens,por exemplo, não tarda a sentir a solidão da mulher que sempre foi independente diante de um mundo que exige casamento e a formação de uma família tradicional.


E é bacana ver como as mãe e irmãs tem características absolutamente diferentes (embora todas tenham aptidão pras artes), umas que conectam de maneira perfeita seus desejos pessoais com o que se espera delas e outras que seriam muito mais felizes se tivessem nascido décadas mais tarde.



Porém, não é possível afirmar que todas as dificuldades da época foram superadas. Mulher inteligente e que defende seus pensamentos de maneira contundente ainda é vista como ameaça - e classificada como louca e histérica. Os "bons costumes" seguem mais atuais que nunca.


Importante lembrar: o longa é dirigido por Greta Gerwig, indicada ao Oscar de Melhor Direção por "Lady Bird", que já mostrava a realidade de mulheres que querem voar e conquistar seus espaços. Outra lindeza deste filme é a participação de Meryl Streep como a Tia March, a verdadeira detentora dos bons costumes que tenta mostrar pras sobrinhas como o mundo é muito complicado, "mas é isso aí, aguentem e cumpram suas missões".





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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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