O desconcertante “Eu, Tonya”, com Margot Robbie


Com pitadas de humor e sarcasmo, “Eu, Tonya” conta a pesada história desta patinadora olímpica estadunidense que se envolveu em um grande polêmica e foi banida do esporte. Antes disso, uma série de relacionamento abusivos marcaram a vida de Tonya Harding (Margot Robbie). Este foi feito a partir de entrevistas com ela e pessoas a sua volta

A vida de Tonya foi bem atribulada desde a infância, quando sua mãe, LaVona Harding representada pela excelente Allison Janney, a maltratava com frequência, fazendo-a se sentir mal porque acreditava que assim que ela se sairia melhor no esporte. Os pais até mesmo a fizeram largar a escola para se concentrar na patinação, chegava a treinar de 6 a 8 horas por dia.

Quando se casou, e pensava que a situação de sua vida poderia melhorar, o marido começou a espancá-la e aí Tonya começou a viver um verdadeiro pesadelo. Como também convivia com a a violência dentro de casa, essa era a única forma de amor que conhecia. Se a mãe a batia e a amava, então pensou que era assim mesmo e que a culpa era dela. Tonya passou grande parte da vida ainda atrelada ao marido e às burradas e canalhices que ele fazia.

Na patinação, Tonya era uma competidora diferente, estava sempre quebrando os padrões. Fumava antes das competições, se apresentava com músicas modernas, diferentes das clássicas usadas pelas outras patinadoras e justamente por seu comportamento atípico, Tonya nunca conseguia vencer as principais provas da patinação, mesmo sendo a primeira a fazer o Triple Axel em uma competição oficial, um movimento super difícil e desejado pelas patinadoras.

Este filme nos faz crer que Tonya nunca foi bem cuidada pelas pessoas ao seu redor e o mundo preconceituoso da patinação colaborou para que ela não encontrasse um bom rumo na vida. Mas isso não se de forma simplista, como costuma acontecer nas cinebiografias, enaltecendo maniqueístamente seu protagonista. Em "Eu, Tonya" nos confrontamos

Há um momento em que a narrativa fica totalmente presa a um incidente ocorrido com Nancy Kerrigan (Caitlin Carver) sua maior rival no mundo da patinação. Entendo o ponto do diretor em querer frisar essa situação porque definiu os novos rumos da vida de Tonya, mas acredito que tenha se perdido um pouco nessa parte da narrativa, mudando o rumo e ficando até um pouco cansativo. Mas nada que prejudique a qualidade do longa.

De qualquer forma, “Eu, Tonya” é sem dúvida um dos melhores filmes que eu assisti nos últimos tempos. Não é a toa que Margot Robbie recebeu a indicação ao Oscar de melhor atriz com esse trabalho, porque sua atuação está mesmo perfeita. Consegui me emocionar e sentir em mim cada percalço que ela se sentiu, dava até para esquecer que ela não era a própria Tonya.

Interessante também o recurso do diretor de misturar as entrevistas (as fictícias mesmo, que também foram recriadas com os atores), com as cenas normais da história. Esse recurso mostra ainda como as versões se contradizem, as visões são confrontadas e nos deixa com a dúvida do que teria acontecido de fato ou não. Também são fascinantes as cenas da patinação em si, com as belíssimas acrobacias.

“Eu, Tonya” estreia nos cinemas no próximo dia 15 de fevereiro e teve três indicações ao Globo de Ouro: melhor atriz para Margot Robbie, melhor filme de comédia ou musical e melhor atriz coadjuvante para Allison Janney, que merecidamente levou o troféu. Já no Oscar, Margot Robbie e Allison também concorrem como melhor atriz e atriz coadjuvante. Além disso, o filme também concorre ao prêmio de melhor edição na cerimônia que acontece 4 de março. Com uma carga dramática pesada e pontadas de absurdo, cenas hilariantes e direção de Craig Gillespie, “Eu, Tonya” merece atenção especial.


#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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