O drama tunisiano “Meu querido filho”


Começamos 2019 com o longa tunisiano “Meu querido filho”, que retrata o drama de um pai que para sua vida após o desaparecimento do filho, para quem dedica todo seu tempo. O jovem se seduz pelo discurso do Estado Islâmico e acaba fugindo e abdicando de sua vida para viver com o grupo radical na Síria.

Riadh é um homem simples, que vive uma vida pacata em um emprego simples. Com apertos econômicos, mas relativamente confortável, vive em um bairro tunisiano de classe média-baixa. O filho Sami, de dezenove anos, sofre de fortes enxaquecas e está em ano de vestibular, o que, é claro aumenta o estresse. Ainda assim, o pai acredita que há algo de errado para além disso, mas é desacreditado pelas outras personagens do longa: sua esposa e uma amiga do trabalho.

Sami e Riadh têm uma relação afastada, mas respeitosa. Sami faltava aulas, não tinha muitos amigos, e o pai pouco sabia sobre sua vida mais pessoal. Quando o jovem foge, com apenas um recado dizendo que vai para Síria e nenhum outro rastro, o pai sai em busca de seu paradeiro.

Quando Riadh percebe que Sami de fato quis sair e viver uma outra vida, ele vê seu mundo desmoronar. Para um homem que tinha em seu filho toda sua vida, esquecendo-se de sua relação com sua esposa e até de si mesmo, ver o filho rejeitar a vida simples, mas honesta que conseguia proporcioná-lo é muito frustrante. Ainda mais, tendo trocado isso para viver uma vida de clandestinidade e perigo em um país em guerra. E assim ele se torna um homem frio. Se isola cada vez mais, se afasta da esposa e parece não aceitar o que o destino o reservou.

O diretor Mohamed Ben Attia conta que o mote para a criação do filme se deu a partir de relatos que ouviu sobre pais à procura de filhos que se juntaram ao Estado Islâmico. “Infelizmente, tornou-se quase que comum. Um dia, ouvindo um pai falando sobre sua história, realmente me afetou. Ele continuava repetindo: ‘meu filho’. Eu rapidamente percebi que o que me interessou mais não foram as razões que fizeram o filho sair, mas o ponto de vista dos que ficaram atrás: os pais dele que não viram isso chegando”, conta o diretor.

Trata-se de um drama extremamente atual, de uma crise ainda em curso. "Meu Querido Filho" olha para como uma família é afetada quando algum membro se seduz por ideologias radicais e extremas como a do Estado Islâmico. É melancólico e triste e serve como um alerta para que pais se atentem aos interesses e à vida pessoal dos filhos. O filme estreia nesta quinta-feira (03).

#Filmeseséries

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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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