Misoginia e radicalidade em “Deus é mulher e seu nome é Petúnia”



“Deus é mulher e seu nome é Petúnia” é um filme para passar muita raiva do início ao fim. Raiva da religiosidade radical hipócrita e da sociedade machista e patriarcal, muitas vezes presa na Idade Média. O longa é uma produção da Macedônia com coprodução de vários países do Leste Europeu.


Petúnia (Zorica Nusheva) é uma mulher na faixa dos 30 anos que se formou em História, mas se vê por anos sem emprego, o que a desmotiva mais a cada dia e a faz continuar morando na casa dos pais, sem perspectivas. Sua relação com a mãe é super complicada e uma sente vergonha da outra. Em uma entrevista de emprego arrumada por uma amiga da mãe, ela se humilha e é muito mais humilhada pelo possível empregador, fruto de uma sociedade machista e gordofóbica. Para piorar, tem ainda que lidar com gracinhas igualmente humilhantes e preconceituosas na rua.


Depois de passar por todas essas situações, ela vai até um ritual religioso tradicional que acontece na cidade e resolve participar, buscando na água a cruz lançada pelo padre. Mas, até então, nenhuma mulher tinha se atrevido a fazê-lo e ela se torna automaticamente uma pecadora, já que era uma tradição implícita que apenas homens poderiam participar.



O maior problema é que a polícia se envolve e Petúnia passa horas presa em uma delegacia sem ter cometido nenhum crime de fato. Os acordos entre policiais e padres são podres. Petúnia conhece seus direitos e sabe que não devia estar ali, mas não sabe exatamente o que pode fazer para se ajudar. Mesmo assim, mantém uma postura altiva frente ao caso e, corajosa e teimosa, não cede em momento algum, certa de que não cometeu nenhum delito. A polícia faz de tudo para tentar coagi-la e intimidá-la, faltando apenas mesmo partir para uma agressão física, mas como não tem crime, não sabem o que fazer com ela.


Os policiais causam a revolta e, como não podem acusá-la formalmente, fazem de tudo para que a sociedade em si se revolte e os homens radicais se vinguem. Como é comum, a maioria da população não se importa com isso, mas os radicais são mais violentos e fazem barulho. Tudo isso nos faz ter muita raiva dessa sociedade tão mesquinha e tão similar ao que temos aqui, atrasada e machista.Ainda assim, o ato final dá uma pontinha de esperança e entendemos que sim, uma mulher pode fazer tudo que ela quiser. A arte é mesmo a melhor forma de denúncia.


O longa é da diretora macedônia Teona Strugar Mitevska, está em cartaz no 21º Festival do Rio 2019, que acaba esta quarta-feira (18) e tem previsão de estreia para o resto no Brasil para o dia 26 de dezembro.



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Manu Mayrink é fanática por livros, filmes, séries, música e lugares novos.  A internet é seu maior vício (ao lado de banana e chocolate, claro) e o "Alguém Viu Meus Óculos?" é seu xodó. Ela ama falar (muito) e contar pra todo mundo o que anda fazendo (taurina com ascendente em gêmeos, imagine a confusão!). Já morou em cidade pequena e em cidade grande, já conheceu gente muito famosa e outras não tanto assim (mas sempre com boas histórias). Já passou por alguns lugares incríveis, mas quando o dinheiro aperta ela viaja mesmo é na própria cabeça. Às vezes mais do que deveria, aliás.

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